Num país imaginário, um fenômeno eleitoral inusitado detona uma séria crise política; ao término das apurações, descobre-se um espantoso número de votos em branco - uma "epidemia branca" que remete ao "Ensaio Sobre a Cegueira" (1995), do mesmo autor. Neste romance, José Saramago faz uma alegoria sobre a fragilidade do sistema político e das instituições que nos governam. O que se propõe não é a substituição da democracia por um sistema alternativo, mas o seu permanente questionamento. É pela via da ficção que José Saramago entrevê uma saída para esse impasse - pois é a potência simbólica da literatura (território em que reflexão, humor, arte e política se entrosam) que se revela capaz de vencer a mediocridade, a ignorância e o medo.