Não se fala de nenhum time aqui, grande ou pequeno. Só de dois garotos. Vizinhos, numa dessas histórias que o subúrbio carioca tem o dom de montar e que o compositor Aldir Blanc teve o talento de contar. A caixinha de surpresas do título, não resta dúvida, é o destino. É ele que vai juntar os dois no início, entediados com a mudança das respectivas famílias, no mesmo dia, para casas que dividem muro. É ele que vai juntá-los novamente no final, em lados opostos de um muro muito maior que aquele da infância. Blanc usa a bola pra quase falar de metafísica, dando olés consecutivos na chatice. Blanc prova que é mestre de blefe e drible, esticando o realismo do livro até o máximo para, na última hora, sem aviso, estonteando, sair-se com uma solução do mais puro fantástico. Mágica de futebol.