Pode uma cultura falar do tempo sem recorrer às diversas formas de elaborar suas tradições e de narrar a história? Como pensar a história a partir de uma tradição que trabalha com a idéia de tempo absoluto, sem conexão com as diferentes dimensões sociais, políticas e intelectuais, e que procura identificar a sociedade a uma única experiência temporal? Como pensar, enfim, a natureza do contemporâneo: tempo fragmentado, tempo deslocado, tempo modelado, tempo sem memória? As questões postas em 1922 (o que é modernidade?), 1792 (o que é liberdade?) e 1492 (o que é humano?) jamais foram seriamente respondidas, o que nos leva à pergunta: o que somos nós, quinhentos anos depois do "descobrimento" da América? Publicado originalmente em 1992, "Tempo e História" procura responder a essas indagações.