Entre o plumbeo e o derrisorio, Superficies Irregulares e capsula de prosa poetica que traz em seu cerne filetes do prisma cotidiano de personagens que dedilham os ocos e fluidos do corpo nos espacos em que habitam. Personagens, em sua maioria, femininas que escarnecem a puerilidade em estado de graca avizinhando-se a transgressao batailleana e ao veio juvenil para la de Caio Abreu. Porque se trata, sobretudo, de uma mulher que escreve. Um processo pautado em dedilhar as camadas do avesso tornando-se aquela que sabe parir tropicos e e voluvel como as aguas caudalosas do rio que engole a cidade. Superficies Irregulares e uma especie de socorro para quem precisa , um pulso de luz que faisca no caos, eis a criacao do conto no instante luminoso da palavra que se faz lamina. Que o leitor nao se assuste com os ventos quentes do norte, com o ceu ruivo de sol que este livro pinta, e com o narrador que quase nao se mostra, embora tenha total envolvimento com a historia narrada; mas quem persiste ve deliciosamente o caos . Ana Yanca C. Maciel