Os judeus sefarditas viveram em Sefarad, hoje Espanha, por mil anos, até serem expulsos na primavera de 1492. Durante o século XX, pródigo em totalitarismos, ditaduras e guerras, a palavra Sefarad tornou-se símbolo e metáfora dos exílios, que não foram poucos num período histórico em que milhões de pessoas foram perseguidas e teminaram deslocadas ou desarraigadas. A peregrinação dos judeus conduz esse afresco da exclusão, e seus personagens centrais, de carne e osso, são Franz Kafka e sua amante Milena Jesenska, o filósofo Walter Benjamin e o escritor Primo Levi. A galeria dos retratados, porém, é mais extensa e incorpora os que se exilaram não apenas em terras alheias como também na própria alma, por se sentirem excluídos da sociedade, da saúde, do amor.