Ana Akhmátova (1889-1966), durante trinta anos, teve todo e qualquer verso impedido de publicação na União Soviética. A tragédia se abateu contra cada um dos grandes poetas russos silenciados pela censura draconiana de Jdanov, o ministro despótico da Cultura de Stálin: Blok, Gumilióv, Mandelstam, khlébnikov, Maiakóvski, Pasternak. Agora, muitas de suas obras atingem na Rússia tiragens imensas. Akhmátova foi martirizada em vida por um regime totalitário e infame, viveu tempos terríveis, durante os quais, comportou-se com heroísmo. Isto é confirmado por todas as evidências disponíveis. No entanto, os ditadores morrem com todas as suas proibições. Os poetas, como via lucidamente Shelley, são, como Ana Akhmátova, "os verdadeiros e ignotos legisladores da humanidade".