Susan Sontag, que morreu em dezembro de 2004, foi uma das mais influentes intelectuais contemporâneas. Polivalente, era a primeira a reconhecer a própria voracidade. É por isso que ela nunca se contentou apenas com a crítica literária, e desde os anos 1960 vinha aliando o ensaísmo mais rigoroso a um incessante ativismo político. Sontag esteve entre os poucos intelectuais que decidiram manifestar sua solidariedade à capital da Bósnia, sitiada e bombardeada diariamente pelos sérvios. "Esperando Godot em Sarajevo", incluído nesta coletânea, relata a estadia de Sontag na cidade, onde foi dirigir uma versão da famosa peça de Samuel Beckett, em 1993. O espetáculo estreou à luz de velas e ao som de bombas e tiros de franco-atiradores. "Cultura, cultura séria, é uma expressão da dignidade humana", afirmava Sontag.