Em 1869, a capital do império czarista, Petersburgo, na Rússia, vive dias politicamente convulsos. O escritor Fiódor Dostoiévski acaba de voltar de Dresden, na Alemanha (onde se refugiara para escapar dos credores), por conta da morte de seu enteado, ocorrida em circunstâncias estranhas. Dostoiévski não chega a tempo de assistir ao enterro, mas quer, ao menos, recuperar os papéis do rapaz. A versão da polícia é de que ele se suicidou, mas uma lista de nomes encontrada em seu quarto levanta a suspeita de que estaria envolvido com grupos anarquistas. Na obsessão de saber a verdade, desvendando a vida dupla do rapaz, Dostoiévski, então com 48 anos, vai se enredar numa teia perigosa. Em "O Mestre de Petersburgo", J.M. Coetzee explora com excepcional maestria narrativa a área cinzenta entre a verdade e a ficção.