O projeto poético de Paulo Henriques Britto ganha prosseguimento e renovação. Sua já conhecida predileção por formas fixas vem de novo acompanhada por imagens prosaicas e um bom humor folgado. O título do livro indica uma localização espacial ao mesmo tempo familiar e estrangeira: Macau é cidade chinesa onde se fala o português. O autor dialoga com a tradição modernista - principalmente com Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Mário de Andrade -, mas também com João Cabral de Melo Neto. Novidade neste "Macau" é o forte acento biológico de certos poemas. A necessidade orgânica do ato criativo é indissociável do ritmo diário, pois "são as palavras que suportam o mundo", como registra "De vulgari eloquentia", outro poema do livro. A poesia revela-se, assim, tão vital quanto o repasto que atende à fome ou o líquido que aplaca a sede da existência.