'A Confissão de Lúcio' aborda uma obsessão cara ao autor - a condição de duplo e o assassínio suicídio. Numa linguagem impregnada de poesia, a obra tem tanto de autobiográfica (os anos de Paris, a atracão pela morte) como de testemunho dos tempos - na sua urgência, na sua decadência, no seu frenesim sensacionista, é uma obra-prima do modernismo português. Depois de dez anos de prisão, Lúcio é solto e conta sua história para demonstrar sua inocência. Mas, à medida que relata os fatos que antecederam o crime, as lembranças se embaralham, os acontecimentos perdem a nitidez e a ambiguidade toma conta da narrativa.