Um dos retratos mais fiéis e abrangentes da sociedade imperial, nos bons tempos do barbaças Pedro II, e do início da República, encontra-se nas crônicas de Machado de Assis. Irônico, por vezes cruel, o cronista gostava de examinar os grandes acontecimentos do dia, mas também se deliciava em catar o mínimo e o escondido, sem distinção. Com sutileza, zombava de tudo ou quase tudo, conciliando o humor corrosivo com a expressão elegante, o estilo clássico e uma linha de raciocínio cartesiana. Mas a alma era brasileira, carioca, identificada com as aspirações da época. A época vivida e retratada pelo cronista foi palpitante de acontecimentos: a Questão Christie, a Guerra do Paraguai, a Questão Militar, a abolição da escravatura, a queda do Império. Durante 45 anos, Machado atuou na imprensa da Corte como cronista.