Não é sempre que um escritor de voz original surge com tamanha maturidade. O talento em relacionar imagens fulgurantes e apuro formal faz de Carpinejar uma voz singular da poesia brasileira contemporânea. Desde As solas do sol, percebe-se a densidade de sua poética, repleta de experiência da terra de origem, mas permeada de força universal. Em Um terno de pássaros ao sul, o autor relaciona-se com a ausência da figura paterna. Em Terceira sede e Biografia de uma árvore, o poeta projeta-se no futuro e deixa a velhice dar contornos à poesia. Neste "Caixa de Sapatos", os espaços da imaginação, da memória e da realização poética se encontram. Para o autor, prosseguir na fábula é estratégia para fazer a realidade emergir com mais força.