A primeira coisa notável em "A Teoria do Jardim" é que o livro pede para ser relido assim que a primeira leitura é concluída. Talvez isso aconteça porque os belos poemas que o compõem sensibilizam o leitor com a duplicidade de sua composição, ao mesmo tempo delicada e incisiva, sensível e racional, suave e aguda. A primeira leitura - ou pelo menos a da superfície - é sensorial, a das palavras que iluminam percepções, a do prazer literário imediato. A segunda é a finamente inteligente. A que se detém no projeto mencionado por Dora no trecho do poema citado acima. O título do livro já aponta para um programa de trabalho: "a teoria do jardim" trata de elaborar uma teoria da poesia, vista como o jardim que se desdobra em paisagens do passado e do presente e nas quais está gravada a marca do corpo e das experiências amorosas